segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Pobre coração.

Cada passo que hoje vou soltando com uma raiva imensa, com desejo de sofrer, de me sentir extremamente cansada, até que me doam os pés que me impossibilitem de correr atrás do que não é permitido.
Quero a cada passo aumentar a velocidade (dos meus pensamentos indefinidos e raciocínios incompletos) até que esta se torne estonteante de tal forma que me deixe exausta, com vontade de alcançar tudo o que desejo, com vontade de que posso e consigo tudo. Achar que consigo correr contra o vento, em que mesmo que ele me puxe três passadas para trás eu consiga empurra-lo cinco passadas para a frente.
Ai!  Se eu não soubesse que o vento é abstracto por muito que o queira observar (não tem cheiro, cor, nem algo palpável) só em objectos inanimados é que é possivel encontra-lo, e eu humana, de carne e osso, apenas o consigo sentir a rasgar-me o rosto, como se trouxesse toda a realidade que pretendo esquecer, como se fosse o meu pior inimigo impedindo-me de avançar, como se fosse eu a remar contra a maré num dia árduo de tempestade, como se fosse um rol de memórias, recordações que o coração pretendo rejeitar.

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